Na estrada do sertão, tocando o gado
Sigo firme, na poeira e no calor
No alforje, sem espaço para o amor
Vou pensando na desfeita e no agrado
Já no campo, nosso mundo tem mudado
E o moderno, ao passado, quer pular
Como o canto boieiro que vi calar
E hoje sigo duvidando do valor
Pois a minha montaria tem motor
Inda escuto Gonzagão no celular
Quando chego à tardinha, na tapera
Que agora não tem pó nem lamparinas
Me comovo vendo o jeito das meninas
Entretidas em posição de espera
Nem piado de coruja me acelera
Nem da onça me arrepio com o miado
Vejo o velho em sua rede, preocupado
Com lembranças, em espera, cochilando
Do outro lado da cerca, pulverizando
Tem um drone sobrevoando o roçado.
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